A Deusa da Cura Kannon do Templo Kokawadera

Kuan Yin.2

O caçador Ôtomo Kujiko chegou à região de Kokawa em 770 para caçar, como forma de diversão. Certa noite, ele viu uma luz brilhante na Montanha Kazuragi. Ao ser tocado por essa luz, sentiu um grande remorso por matar animais sem nenhum motivo razoável. Ele construiu uma pequena choupana no mesmo lugar em que vira a luz. Certo dia, Kujiko recebeu a visita de um asceta em forma de criança que lhe pediu para passar a noite ali.
Na manhã seguinte, o asceta perguntou a Kujiko se ele tinha algum desejo. Kujiko respondeu que havia muito desejava ter um altar da Deusa. Em resposta, o asceta esculpiu a imagem da Senju Kannon de 1.000 braços, durante sete dias. Em seguida, desapareceu. Aproximadamente na mesma época, a filha do rico Satafu, de Kawachi, adoeceu gravemente.
Embora a família fizesse de tudo para curá-la, seu estado continuou tão desesperador que não havia nada a fazer senão esperar a morte. Inesperadamente, apareceu um asceta na forma de uma criança e curou a filha. Em sinal de gratidão, Satafu deu ao asceta muitos presentes, mas ele os recusou todos. A única coisa que aceitou foi o hakama (saia-calça japonesa) tecido pela própria filha. Depois de finalmente dizer uma única frase, “Eu moro em Kokawa, na Província de Nachi”, ele desapareceu.

No ano seguinte, Satafu foi com a filha para Nachi a fim de localizar a aldeia de Kokawa. Mas ninguém tinha ouvido falar da aldeia de Kokawa ou do asceta. Nas proximidades, eles descobriram um pequeno rio que passaram a acompanhas, PIS o nome Kokawa significa “pequeno rio”. Eles logo chegaram à choupana de Kujiko. Entrando nela, descobriram a imagem da deusa de 1.000 braços Senju Kannon.
De suas mãos pendia o hakama que a jovem havia dado ao asceta. Eles logo compreenderam que o asceta que havia curado a filha era uma manifestação da deusa na forma de um asceta-criança. Como resultado, Satafu tornou-se monge e em seguida mandou construir um templo no local onde estava a choupana, dando-lhe o nome de Kokawa dera (Templo no Pequeno Rio). Ainda hoje, muitas pessoas fazem peregrinação para Kokawa dera e lá são curadas com rituais especiais relacionados com o símbolo SHK.

 

Outras aparências de Kannon Kannon de Onze cabeças (jûichimen Kannon)

 

Esta Kannon é uma das figuras mais antigas do Budismo Esotérico. As onze cabeças remontam ao deus da tempestade indiano Rudra, que tem onze nomes. As onze cabeças também representam as onze ilusões mundanas que mantêm as pessoas afastadas da unidade e do amor.

Conseqüentemente, cada face também tem uma expressão diferente cujo objetivo é ajudar as pessoas a abandonarem as ilusões (três face que induzem à compaixão, três coléricas, três com sorriso severo, uma face do Buda do Paraíso Amida e uma rindo freneticamente). Desde o século VIII, realiza-se o Grande Ritual de Purificação e Proteção com Fogo e Água (Omizutori) com esse propósito na entrada Nigatsudô do Templo Tôdaiji em Nara.

 

A água para a purificação é extraída de uma fonte secreta e grandes tochas são acesas para transmitir proteção. Milhares de visitantes ficam sob a chuva de fogo todos os anos para ser tocados pelas centelhas incandescentes, é por meio da transmissão do poder espiritual (kaji) dessas centelhas que a proteção do fogo se torna ativa. A crônica do templo Tôdaiji yôroku descreve como o monge Jicchû (726-?) realizou este ritual pela primeira vez durante os anos 50 do século VIII, depois de tê-lo observado no reino do futuro Buda Maitreya em homenagem à Deusa da Grande Compaixão Kannon.

 

Kannon com a Rede e a Corda (Fukû Kensaku Kannon)

 

Como o nome já indica, esta Kannon porta uma rede e uma corda. Com esses instrumentos, ela resgata os seres que nadam no mar da ignorância. A rede é tão fina que nenhum ser consegue escapar pela malha. Além disso, ela cura doenças, concede riquezas, presenteia com beleza, garante o sucesso nos negócios e protege as pessoas das catástrofes naturais.

Ela tem uma, três ou onze cabeças; três olhos; seis, oito ou dez braços, dos quais duas mãos estão postas em oração; outras mãos com folhas de palmeiras, um bastão de peregrino ou uma flor de lótus. Ela usa uma coroa ricamente adornada e incrustada com uma imagem do Buda do Paraíso Amida. Envolta por uma veste de camurça, ela é também conhecida como a Kannon da Caça e da Pesca, Rokuhi Kannon.

 

Kannon Sagrada ou a Kannon Original (Shô Kannon)

 

Esta é a Kannon original, como é conhecida na tradição indiana. Muitas vezes ela também aparece na companhia de outros seres de luz. Ela está sentada num pedestal de lótus e usa uma coroa alta com o Buda do Paraíso Amida. Sua mão direita eleva-se no mudrá “Não tema” e a esquerda aponta para baixo, no mudrá da realização dos desejos. Às vezes ela segura um botão de lótus na mão esquerda, que é aberta pela mão direita. Quando uni as mãos em Gasshô, muitas vezes há entre elas um cristal de quartzo ou uma jóia. Essa é uma representação antiga da meditação Gasshô com pedras de cura.
(Fonte: O Grande Livro de Símbolos do Reiki – Mark Hosak e Walter Lubeck)