Histórias Verdadeiras Sobre Kannon 

A Deusa da Grande Compaixão

Kuan Yin.2

As histórias a seguir referem-se a todas as deusas dos templos de peregrinação de Kannon no Japão ocidental (peregrinação Saikoku). A Deusa que se Auto sacrífica (Migawari Kannon) do Templo Nariaiji.
Antigamente, um monge vivia numa montanha remota onde hoje se localiza o Templo Nariaiji. O povo que morava no sopé da montanha sempre lhe levava comida. Mas num inverno nevou tanto que os aldeões não conseguiram subir a montanha. Quando estava para morrer de fome, o monge rezou para a deusa Kannon (Shô Kannon), cuja imagem estava em sua choupana, pedindo alimento suficiente só para mais um dia. Ele mal acabara de fazer seu pedido quando viu diante da porta um cervo que fora morto por um lobo. Como monge budista, não lhe era permitido comer carne.
Mas como esse alimento aparecera em resposta às suas preces, ele decidiu comê-lo, e cozinhou a coxa em sua caçarola. Com essa refeição, ele recobrou as forças. Quando a neve derreteu, os habitantes da aldeia subiram a montanha para vê-lo. Eles encontraram alguns gravetos na caçarola. Além disso, notaram que a coxa da imagem de Kannon estava danificada. Correram imediatamente até o monge para mostrar-lhe o que acontecera. Só então ele compreendeu o que Kannon havia feito por ele. Chorando muito, ele se pôs a consertar a imagem imediatamente com os gravetos da caçarola, e fez todo o possível para que não fosse percebido nenhum vestígio do dano causado.
O templo Nariaiji que mais tarde foi construído na montanha recebeu o nome dessa imagem graciosamente perfeita. Nariai significa “bela perfeição” e ji significa “templo”.
A Deusa que se Auto-sacrifica (Migawari Kannon) do Templo Anaoji
A esposa de um homem chamado Uji no Miyanari, de Tamba, desejava de todo coração que seu mau marido se tornasse um homem bom. Com esse propósito, ela mandou fazer uma imagem da deusa Kannon. Ela contratou um monge e escultor de Quioto, chamado Kansei, que passou a morar com o casal até terminar a imagem. Kansei também acreditava no poder de Kannon e recitava o sutra Kannon kyô todos os dias.
Quando os retoques finais foram dados, Miyanari e sua esposa ficaram tão encantados que deram muitos presentes a Kansei. Miyanari presenteou-o inclusive com seu cavalo favorito. Kansei pôs alegremente suas coisas sobre o cavalo e tomou o caminho de volta a Quioto. Mas Miyanari logo se arrependeu da sua generosidade. Ele seguiu Kansei, preparou uma emboscada e o matou com uma flechada no peito. Em seguida pegou o cavalo e os outros presentes e voltou para casa.
Ao chegar em casa, Miyanari ficou surpreso ao ver que exatamente a mesma flecha que havia arremessado contra Kansei estava fincada no peito da Kannon esculpida por Kansei. Além disso, sangue escorria da imagem, do ferimento produzido pela flecha. Quando ele se virou, assustado, seu cavalo com toda a carga que dera a Kansei havia desaparecido. Ele se pôs imediatamente a caminho de Quioto para descobrir o significado dessas coisas estranhas.
Ao chegar na cidade, encontrou Kansei em perfeito estado de saúde, como também o seu cavalo. Perguntou então a Kansei como fora a viagem de volta. Ao ouvir que Kansei chegara em casa sem nenhum incidente, ele teve certeza de que Kannon havia se sacrificado para salvar a vida de Kansei. Esse fato tocou Miyanari tão profundamente que ele se tornou um homem verdadeiramente piedoso a partir daquele momento. O desejo de sua esposa se realizara de uma maneira que ela jamais teria esperado.
O monge superior de Anaoji, Anaho Gyôkô, explicou que essa lenda é uma das muitas histórias que mostram o poder de Kannon, e também que Kannon está presente nos dias atuais sempre que uma pessoa ajuda o próximo. Por causa de outros milagres, esta Kannon tornou-se tão famosa que imperadores, monges e pessoas comuns peregrinaram até seu santuário ao longo dos séculos para rezar para ela. Infelizmente, a sua imagem foi roubada em 1968, depois de ter sido declarada um importante bem cultural do Japão, e até hoje não foi encontrada.
Essa é a primeira arte roubada na história moderna do Japão. O fato de uma imagem servir como meio de cura pode ser explicado assim: Depois de terminada, a imagem é sempre apenas uma imagem, como qualquer outro trabalho de arte. Somente quando o ritual de abertura dos olhos de kaigen kuyô é realizado para a imagem é que ela recebe seu poder de cura.
A Deusa da Cura Kannon do Templo Rokuharamitsuji
O monge Kûya fundou o Templo Rokuharamitsuji em Quioto e esculpiu uma imagem de Kannon, que ele próprio iniciou, no ano de 951. Naquela época, epidemias se alastravam em Quioto e ele queria eliminá-las com a ajuda da deusa Kannon. Para isso, colocou a imagem num pequeno relicário sobre uma carroça por ele puxada pelas ruas de Quioto. Com um chá especial de ervas, que ele mesmo preparava e infundia com o poder da deusa, Kûya curou muitas pessoas com a ajuda de Kannon.
A Deusa da Cura Kannon do Templo Tsubosakadera
Um homem chamado Sawaichi vivia nas proximidades do Templo Tsubosakadera com sua bela esposa Osato. Certo dia, Sawaichi ficou cego. Depois disso, sua esposa Osato começou a sair furtivamente de casa todas as noites, sempre muito tarde. Sawaichi percebeu isso e passou a acreditar que ela ia secretamente ao encontro de um amante. Uma noite, sem ser visto, ele a seguiu. Mas para sua surpresa, descobriu que Osato ia ao Templo Tsubosakadera para pedir à Deusa Kannon que restituísse a visão ao marido.
Ele ficou tão envergonhado de sua desconfiança que chegou à conclusão de que sua esposa merecia um marido melhor. Assim, Sawaichi foi até a praia e jogou-se de um penhasco. Quando ficou sabendo disso, Osato seguiu o marido na morte. Mas Kannon resgatou a ambos e devolveu a visão a Sawaichi.
O abade atual de Tsubosakadera diz que, segundo a história, Osato rezou durante 1.000 noites a Kannon para que seu marido fosse curado. Há muitos rituais no Budismo Esotérico que duram 1.000 dias. Além de rituais especiais, também são usados mantras, mudrás e símbolos. Durante o Período Meiji (1969-1912), isto é, durante a vida do Dr. Usui, foi montada uma peça de teatro (no estilo jôruri) baseada nessa história comovente que logo se tornou famosa em todo o país. Presumo que o Dr. Usui inspirou-se em histórias assim na sua busca do Reiki e incluiu as práticas apropriadas no seu Sistema de Cura Natural, como podemos perceber no símbolo SHK.

(Fonte: O Grande Livro de Símbolos do Reiki – Mark Hosak e Walter Lubeck)